Uma questão de língua

Os Maias – Visita a Sintra – Percurso Queirosiano

Posted on: 27/02/2016

Caros alunos,

Depois da visita que se fez a Sintra, cá ficam alguns registos fotográficos que complemento com as deliciosas e riquíssimas palavras de Eça de Queirós, no capítulo VII d’ Os Maias, onde narra o passeio de Carlos da Maia, Cruges e Alencar pela vila, nomeadamente, em Seteais.

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“Mas, ao chegar a chegar a Seteais, Cruges teve uma desilusão diante daquele vasto reino coberto de erva, com o palacete ao fundo, enxovalhado, de vidraças partidas, e erguendo pomposamente sobre o arco, em pleno céu, o seu grande escudo de armas. Ficara-lhe a ideia, de pequeno, que Seteais era um montão pitoresco de rochedos, dominando a profundidade de um vale; e a isto misturava-se vagamente uma recordação de luar e de guitarras…”

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“Cruges, no entanto, encostado ao parapeito, olhava a grande planície de lavoura que se estendia em baixo, rica e bem trabalhada, repartida em quadros verde-claros e verde-escuros, que lhe faziam lembrar um pano feito de remendos assim que ele tinha na mesa do seu quarto(…) O mar estava lá ao fundo, numa linha unida, esbatida na tenuidade difusa da bruma azulada; e por cima arredondava-se um grande azul lustroso como um belo esmalte, tendo apenas, lá no alto, um farrapozinho de névoa, que ficara ali esquecido e que dormia enovelado e suspenso na luz…”

 

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“No vão do arco, como dentro de uma pesada moldura de pedra, brilhava, à luz rica da tarde, um quadro maravilhoso, de uma composição quase fantástica, como a ilustração de uma bela lenda de cavalaria e de amor. Era no primeiro plano o terreiro, deserto e verdejante, todo salpicado de botões amarelos; ao fundo, o renque cerrado de antigas árvores, com hera nos troncos, fazendo ao longo da grade uma muralha de folhagem reluzente; e, emergindo abruptamente dessa copada linha de bosque assoalhado, subia no pleno resplendor do dia, destacando vigorosamente num relevo nítido sobre o fundo do céu azul-claro, o cume airoso da serra, toda cor de violeta-escura, coroada pelo Palácio da Pena, romântico e solitário no alto, com o seu parque sombrio aos pés, a torre esbelta perdida no ar e as cúpulas brilhando ao sol como se fossem feitas de ouro…”

Boas leituras!!!

😉

 

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Autora do blog

Elsa Maximiano, professora de Língua Portuguesa/Português e Inglês do 3.º Ciclo do Ensino Básico e Ensino Secundário.
Este blog de Língua Portuguesa foi criado e é mantido com o objectivo de complementar as aprendizagens dos alunos e fomentar a sua autonomia através da utilização das TIC.
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